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LAVA-JATO; JUIZ MARCELO BRETAS; Cabral é condenado pela 4ª vez na Lava Jato: somadas, penas chegam a 87 anos


Por; Rosinaldo Pereira /colunista

terça-feira, 19 de dezembro de 2017



Cabral é condenado pela 4ª vez na Lava Jato: somadas, penas chegam a 87 anos




O ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) foi condenado nesta terça-feira (19) pela quarta vez no âmbito da operação Lava Jato. O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, o sentenciou a mais 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro. O ex-governador ainda pode recorrer.
Cabral já tinha sido condenado a 72 anos de prisão em outros três processos -- ao todo, são três condenações com Bretas, no Rio, e uma com o juiz Sergio Moro, no Paraná, também na Lava Jato. Somadas, as penas chegam a 87 anos.



Dessa vez, o ex-governador foi sentenciado no âmbito da Operação Eficiência 2, que investigou a atuação dos doleiros Renato e Marcelo Chebar. Em depoimento, Cabral reconheceu que os doleiros eram os responsáveis por gerir dinheiro de caixa dois de campanha no país, bem como as sobras de que fazia uso pessoal.
"A magnitude de tal esquema impressiona, seja pela quantidade de dinheiro espúrio movimentado (milhões), seja pelo número de pessoas envolvidas na movimentação desses recursos", diz Bretas na decisão publicada nesta terça-feira (19).


O ex-governador foi condenado pela ocultação de R$ 317,1 milhões, o que seria "apenas uma parte do que a organização criminosa liderada por Cabral amealhou", de acordo com o Ministério Público Federal.
Destes, cerca de R$ 39 milhões teriam sido mantidos pelos irmãos Chebar no Brasil; US$ 100 milhões, depositados em dinheiro em contas em nome dos Chebar e outros no exterior; 1 milhão de euros, ocultados sob a forma de diamantes e cerca de US$ 1 milhão, na forma de 4,5 kg de ouro, ambos guardados em cofres no exterior.


Cabral é definido, na sentença, como o principal idealizador do "audaz" esquema de lavagem de dinheiro "revelado nos presentes autos e nas demais ações penais em curso neste juízo".
O UOL procurou a defesa do ex-governador, que informou que ingressará com novo pedido de suspeição do juiz Marcelo Bretas.


Segundo o advogado Rodrigo Roca, o magistrado admite expressamente que vai condenar Cabral em todos os outros processos ao defini-lo como idealizador do esquema nesta e nas demais ações penais.
"A condenação do ex-governador pela 7ª Vara Federal em mais um processo, segue a linha das sentenças anteriores do mesmo juízo, ao considerar delação premiada prova segura e capaz para uma sentença condenatória", diz Roca.

Em outubro, o ex-governador foi condenado a 13 anos de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro no âmbito da operação Mascate, desdobramento da Lava Jato no Rio. E, em setembro, ele foi sentenciado por Bretas a 45 anos e dois meses de prisão em regime fechado pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. 


Em junho, Cabral foi condenado por Moro a 14 anos e dois meses de prisão por corrupção passiva. Ele foi acusado de pedir e receber vantagem indevida no contrato de terraplanagem do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), e de 12 crimes de lavagem de dinheiro. No mesmo processo, a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo foi absolvida.
Nesta terça, no entanto, Bretas condenou Adriana Ancelmo, que deixou hoje o presídio em Benfica após ser beneficiada com decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, a oito anos de prisão.


Adriana já havia sido condenada a 18 anos de reclusão no processo referente à Operação Calicute, principal desdobramento da Operação Lava Jato no Rio e que levou para a cadeia, em novembro do ano passado, Cabral, ex-secretários de Estado e empresários.
Em sua decisão de hoje, Bretas cita a "vida regalada e nababesca, o que vai muito além da mera busca pelo dinheiro fácil" ao fixar as penas do casal.




Além deles, foram condenados o ex-sócio de Adriana, Thiago Aragão (sete anos), o economista Carlos Miranda --tido como principal operador de Cabral-- (12 anos), o ex-funcionário Luiz Carlos Bezerra (quatro anos), outros dois operadores de Cabral e três doleiros (os dois irmãos Chebar e Alvaro Novis) que firmaram delação premiada.
O publicitário Francisco de Assis Neto, o Kiko, foi absolvido.



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